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domingo, 19 de junho de 2011

Crônica de Boa noite

- Para de ler e vem para a cama dormir!
Isso sempre acontece quando estou com um bom livro em mãos na confortável poltrona de nosso quarto.
- Eu não sei o que você tanto lê! - ela disse, fingindo estar irritada.
- Se você quiser eu posso ler para você também...
- Eu não quero ouvir o que você está lendo. Eu quero que você venha se deitar!
- Tudo bem, eu vou daqui a pouco.
- Ah, não... Vem logo... Assim eu não consigo dormir.
- Meu Deus! A luz do quarto está apagada e a luz da luminária não chega até você. O que te impede de dormir?
- Não é a mesma coisa sem você aqui... Vem...
Por mais que se tente, não há como vencer a vontade de uma mulher. Fechei o livro, apaguei a luminária e, contrariado, porém vencido, fui para a nossa cama.
- Me abraça? - ela perguntou manhosa.
Envolvi-a com meus braços pensando com que  mulher dengosa e mandona me casei.
- Vê se não vai roncar essa noite! - ela protestou, como se alguém pudesse controlar o ronco - Você faz tanto barulho, que me atrapalha dormir.
Com um vinco na testa, me limitei a responder um "tá bom, meu amor" e um "boa noite".
- Boa noite - disse satisfeita.
Essa noite demorei horas a pegar no sono, angustiado com a dúvida de ser um sonífero ou um causador de insônias profissional.